sábado, 16 de abril de 2016

Hipnose: magia ou estudo científico?

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                  Oi pessoas bonitinhas 

                 Bom, os textos dessa semana traz um tema muitooooo legal, que é a hipnose (até porque, antes de ler os benditos textos, pra mim a hipnose era parte de um show de mágica e, de coração... eu achava que tudo era combinado entre o mágico e a pessoa convidada, acreditava não ser possível que uma pessoa entrasse em um estado de transe ou um relaxamento total que poderia fazer com ela "saísse" do próprio corpo), então no texto 4, fala que durante muito tempo a hipnose era vista dessa forma ai que eu disse acima (preguiça de repetir =]~), mas mais do que ser parte de um show de mágica, a hipnose também era associada antigamente à algum tipo de bruxaria e quem a praticava era considerado charlatão. Contudo, com um pouco mais de informação adquirida com a leitura do texto pode-se afirmar que a hipnose também pode ser utilizada como um meio médico, mais do que isso, ela pode ser um grande auxílio na psicologia, combatendo traumas, relaxando e ajudando pacientes a relaxarem durante algum tipo de procedimento cirúrgico.
                 Vale ressaltar também que ao contrário do que pensa a maioria das pessoas (inclusive eu pensava), o ser humano submetido à hipnose não fica em "transe" totalmente, fora de sim, sendo capaz de fazer coisas consideravelmente "impossíveis", contudo, o que ocorre é justamente o contrário disso, o efeito da hipnose não deixa a pessoa inconsciente, seu senso crítico não desapareceu, uma vez que segundo Cortez, a hipnose não é uma atividade autoritária, mas colaborativa.
                  Portanto, a hipnose se trata de um estado de consciência modificado em que os processos cognitivos são alterados, porém, o paciente sempre está consciente dos seus atos e somente os realiza se assim o desejar. Além disso, se trata de um procedimento regulamentado pelos conselhos de medicina, odontologia e psicologia, visto que é um processo que auxilia o desempenho nos procedimentos cirúrgicos, ademais, é um recurso excelente para otimizar os resultados dos remédios em pacientes sob tratamento.
                   Em relação as pesquisas científicas da neurociência ficou constatado que a hipnose de fato altera os processos bioquímicos do cérebro e, assim, pode-se estudar como a hipnose atua nos mecanismos do cérebro, como também, o uso da hipnose para estudar os processos cognitivos específicos. É interessante lembrar que a hipnose ocorre como os estágios do sono, em que o primeiro se tratado relaxamento consciente, enquanto que o segundo há o relaxamento total do corpo. No estágio médio a pessoa pode deixar de sentir algumas sensações como o toque, pressões e dores devido o alto grau de relaxamento... e um fato curioso é que até momento, todos os nossos textos aqui comentados têm valorizado as emoções, os sentidos, o tato (principalmente) e agora vem a hipnose querendo justamente se libertar de tudo isso, a hipnose traz uma concepção totalmente oposta, em que se busca justamente o relaxamento total, ou seja, é se abster das emoções e dos sentidos. Assim, pode-se concluir que para a psicologia é o estudo da mente que importa, seja em experiências de alto uso dos sentidos e de como isso auxilia a vida do ser humano, e em contrapartida, é importante o estudo da ausência desses sentidos, pois o relaxamento total do corpo pode ser um benefício para a medicina em um contexto geral. Esvair sentimentos pode ser um grande aliado para a superação de traumas.
                     Maaaaas voltando para o texto, a hipnose é como uma alta suscetibilidade em que a pessoa se sente absorvida por aquilo que é de interesse dela, entra em um mundo em que é suspensa a atenção do mundo comum, e assim, ela pode ser manipulada a ver ou sentir coisas que não estão acontecendo, como também para a percepção de cores... portanto, pode-se afirmar que tudo pode ser manipulado.
                  No texto é abordado os relatos de uma experiência feito com mulheres portadoras do câncer de mama, elas foram submetidas ao processo de hipnose antes dos processos cirúrgicos e assim, notou-se que houve um melhor rendimento nos resultados, sem dores e perturbações emocionais, assim, a técnica foi tão benéfica para as pacientes quanto para o custo financeiro, além do menor tempo gasto na sala de cirurgia. Dessa forma, a hipnose não pode ser considera um tipo de placebo, uma vez que se tem efeito analgésico, como a dopamina, em que é preciso prestar atenção na dor para poder senti-la. Outra referência e alternativa para o caso dessas mulheres, seria o uso da meditação, em que no primeiro texto, os budistas nos ensina a relaxar e controlar nossas emoções, fazer o autoconhecimento para que assim, nos livramos de toda a dor que existe no nosso corpo.
               Atualmente no Brasil, a técnica de meditação e relaxamento com ioga, por exemplo, é utilizada como meio de controle emocional dos pacientes, ajudando-os a superar seus medos e evoluir nos procedimentos, como no Hospital Albert Einstein em São Paulo. A técnica é baseada nos "movimentos suaves e respiração pausada [...]".

              Para finalizar o texto 4, vamos tratar dos aspectos que todos têm curiosidade, em como a hipnose pode ajudar a lembrar do passado... E sim, de fato isso é possível, principalmente para a correção de traumas da infância, como uma técnica de regressão. Atualmente, a hipnose também é uma grande aliada para relembrar cenas que ocorreram em crimes, por exemplo, pois assim a investigação é facilitada. Contudo, a técnica de regressão por meio da hipnose nem sempre é validada, uma vez que nossa infância antes dos três anos é marcada por emoções e sentimentos que podem se confundir com lembranças, mas isso é somente um detalhe, não teve o mérito de ser a hipnose uma excelente técnica de auxílio à medicina e as investigações.
               E para fechar com chave de ouro só queria deixar aqui um trecho de um filme muitoo lombra, mas que super tem a ver com o tema. Se trata de um filme em que extraterrestres estão abduzindo as pessoas de uma cidade, porém, após a "abdução" todos se esqueciam do que tinha ocorrido, e assim, uma doutora psicóloga começa a investigar os fatos por meio da técnica de hipnose com regressão. Super recomendo! Segue aí:

Filme: Contatos de 4º Grau (2009) Trailer Oficial Legendado (YouTube)

             Já no texto 5, temos um pouco do oposto visto no texto 4, uma vez que há a busca pela proposta metodológica clínica e qualitativa. Aqui a hipnose enquanto método de tratamento para dor na psicologia foi apresentada como um problema por não apresentar precisão (fato divergente do que foi descrito no texto 4), ou seja, até que ponto as expressões do paciente hipnotizado se constitui enquanto dados legítimos, isto é, se trata do enviesamento da pesquisa, em que não se sabe se o paciente age conscientemente ou não, de modo a atender as próprias expectativas ou as do pesquisador. Assim, de modo científico, a hipnose sem o estudo técnico e quantitativo dar o ar de imprecisão, não fornecendo as certezas necessárias para a ciência.
             Portanto, tomar medidas preventivas como criar grupos de controle, controle das variáveis ou aplicação de escalas em ambientes pretensamente neutros, eliminam o problema da imprecisão e subjetividade no tratamento e permitiria assim a obtenção de dados confiáveis, dessa maneira, o tratamento hipnótico seria um legítimo estudo científico. No texto é realçado a relação entre a hipnose e a dor, ou seja, até que ponto o sujeito é suscetível à hipnose, se pode de fato ser beneficiado pela prática e assim, produzir efeitos anestésicos, desde que as respostas fossem controladas para serem válidas, por assim se presumir não haver mais interferências indesejadas.
            Além disso, o contexto precisa ser analisado e controlado, pois pertence a complexidade do processo hipnótico. Assim, no texto é tratado de como a dor é vista como uma entidade independente, uma estrutura a parte que se torna acessível por meio de respostas externas quantificáveis, dessa forma, é necessário uma metodologia clínica e qualitativa para o estudo da hipnose e suas relações com a dor e aceitar a própria dor como um processo subjetivo.

         
          Portanto, a proposta é baseada na separação entre sujeito e objeto, e as afirmações dos pesquisador são representações dessa realidade externa, assim, o pesquisador e o empírico tem uma integração de informações, tornando-se o referencial teórico de fato, desse modo, a realidade observada é parte ativa do pensamento do pesquisador. Diante disso, a legitimidade é consolidada a partir da coerência da interpretação do pesquisador, unindo o marco teórico de referência com o empírico observado e dialogado.

               O objeto construído portanto não é somente tudo feito de flores, ele também entra em conflito por não haver correspondência direta com o universo linear, pois há diferentes possibilidades explicativas sobre o problema estudado. Porém, tudo é muito subjetivo, pois depende da interpretação do pesquisador e a hipnose se trata justamente da derivação das expressões cotidianas, interpretadas a partir das teorias. Ou seja, o processo da interpretação não é linear com os registros de pesquisa, as informações são construções do pesquisador (qualitativo).
                No texto também é tratado a questão da estética que são as expressões do sujeito, vinculo que se estabelece com o pesquisador e há também a técnica, que são construções da expressão do sujeito, a autoimagem, dor e demais configurações subjetivas. Assim, a pesquisa busca compreender a singularidade dos processos construídos pelo paciente em sua vivência de dor.
                Nesse texto de forma mais específica vale lembrar que a dor tem papel fundamental, sendo um processo subjetivo, por que mesmo uma dor orgânica (aquelas naturais do corpo), implica e afeta as outras emoções, afeta tudo das mais diversas formas diferentes, as redes sociais do paciente que podem acolhê-lo, envolve-lo em conflitos, estigmatiza-los, isolá-los ou ainda, participar ativamente em seu tratamento. Além disso, a hipnose se tornou útil como um recurso financeiro (estudar as experiências dolorosas, promovendo novos arranjos de emoções) e também como um espaço de investigação do campo relacional e subjetivo em relação à dor, o que pode contribuir para uma compreensão mais abrangente da mesma em termos médicos.

            No texto também é feito um experimento científico baseado na hipnose de forma qualitativa, em que uma senhora de nome Suzana foi de forma voluntária entender os processos de suas dores. Ela era costureira que não exercia mais sua profissão devido dores fortes na coluna que a impedia de realizar movimentos repetitivos, vale lembrar também que ela já havia sofrido muito na vida, pois fora abandonada pelo marido que a largou pela própria amiga e assim, teve que criar seus três filhos sozinha, mas sempre tinha muito orgulho de deixar claro que os criou de forma honesta e que todos foram bem sucedidos na vida.
              Suzana foi submetida à hipnose como método de entendimento de suas dores, porém a hipnose e os encontros realizados abriram leque para entender que Suzana mais precisa de alguém que a escutasse, suas dores na coluna foram se esvaindo a cada encontro em que ela se sentia mais relaxada e à vontade para contar de sua vida e seus problemas. Ou seja, a hipnose aqui por meio do científico só nos provou que a necessidade de esvair os problemas é o que mais afeta as pessoas atualmente, guardar as dores físicas e psicológicas para si mesmo somente retrai mais ainda em dores orgânicas, o que prejudica não somente o próprio ser humano, mas todos aqueles que o rodeia. Então, a hipnose nesse caso teve efetividade no aspecto de ser ela o canal para o entendimento das outras dores de Suzana, mesmo aquelas antigas e que estavam presas em algum lugar no fundo do coração.
               Por conclusão, a dor de Suzana integrada às configurações de suas dificuldades em prover sua família era a dor que ela mais sentia e refletia em suas dores físicas, com os encontros pôde-se haver a reconfiguração de muitas lembranças por meio da hipnose o que resultou no alívio da dor. A hipnose permite que se considere inapropriado conceber a dor como processo isolado da subjetividade, mesmo quando seja possível constatar uma causa orgânica para o processo e a dimensão estética foi fundamental nesse processo, por tratar de proposta de acolhimento, em que se permitiu observar mudanças significativas no semblante e postura de Suzana, comparando-a no início do tratamento com o fim, era uma mulher bem mais alegre, feliz consigo mesma e, principalmente, mais livre de tantas dores...


Texto 4: Fraga, I. (2010) hipnose fora do palco, Ciência Hoje, 276, 20-27
Texto 5: Neubern, M. S. (2009) Hipnose e dor: proposta de metodologia clínica e qualitativa de estudo. PsicoUSF, 14, 201-209.

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