Nessa nossa jornada de estudos da psicologia estamos no nosso terceiro texto, em que vamos falar sobre a mente e a memória em um teste realizado em um indivíduo identificado somente como S... Diferentemente de outras experimentações, essa teve uma duração de mais de 30 anos e tudo começou com a observação da vida e da mente de em homem e de como seu talento com o controle de sua memória influenciou sua personalidade e o desenvolvimento com as pessoas à sua volta. E como dito no texto, a estrutura da personalidade de um indivíduo pode depender do desenvolvimento de uma atividade psíquica, ou seja, síndromes psicológicas podem causar vários traços de personalidades distintas quando há um desenvolvimento exagerado da sensibilidade ou da imaginação.
Portanto, o texto trata da biônica, ou falando de uma forma mais bonitinha é justamente o estudo da operação da memória humana, que é o conhecimento da psicologia a partir da constituição psíquica. É interessante lembrar que o estudo foi baseado somente em um homem, que envolve também o estudo da estrutura fisiológica e o bioquímica do cérebro. O escolhido para o teste foi um caso muito estranho, tratava-se de um jornalista que a pedido do seu chefe-editor, que se sentiu muito encabulado ao notar que ele nunca anotava nada porém, sempre sabia todos os assuntos abordados e exigidos por ele mesmo.
Cabe lembrar que S. veio de uma família de pessoas notáveis e talentosas, cada um tinha um dom intelectual, além disso, ele foi criado em uma comunidade judaica e sempre rodeado de muita cultura. Quando jovem,S. estudou música e desejava se tornar um violinista profissional, porém, um acidente no ouvido comprometeu parte da sua audição, o que impediu que ele progredisse na carreira. Assim, com seu grande sonho não ter sido mais possível de ser realizado, ele se sentiu perdido em relação ao que fazer da sua vida e que rumo profissional seguir. E o fato mais curioso é que S. não compreendia que sua memória era de fato diferente das outras consideradas "normais" (haha bem modesto o rapaz).
Então, a extraordinária memória de S. despertou a curiosidade de Luria em realizar testes para compreender a capacidade de armazenamento e ilimitações da mente do estudado. O primeiro teste tratou de uma análise de memorização em que S. foi capaz de repetir todas as sequências (de letras, números e palavras) pronunciadas de forma perfeita. Ele meio que se concentrava em apenas 1 ponto como método de concentração e fazendo uma analogia ao primeiro texto, pode-se afirmar que S. meditava na concentração em um só ponto como forma de memorização, assim como os monges budistas, analogamente S. tinha o poder de controlar sua mente com técnicas poderosas de controle da mente.
O aumento do tamanho da série não era um empecilho para a memorização nem para a durabilidade das características que ele guardava. Os experimentos revelaram que S. não tinha nenhuma dificuldade para reproduzir quaisquer séries de palavras, independente do tempo que se passava, é interessante lembrar também que ele não lembrava somente das séries de palavras, mas se lembrava das situações em que se encontrava, das roupas das pessoas e onde cada uma estava... Com o passar dos anos S. aprimorava suas técnicas e se tornou um mnemonista profissional.
Em referência aos textos 2.1 e 2.2, em que são estudados e revelados os poderes de nossos sentidos, pode-se fazer uma analogia quando S. afirma utilizar o mecanismo da visão (quando via as séries) e convertia esses elementos às imagens que marcaram sua vida, ou quanto lhe parecia uma imagem estar associada à palavra, ou seja, ele estudava a série, dava uma pausa (que pra mim era uma forma de meditação) e assim conseguia reproduzir tudo o que via... O mesmo vale para quando ele apenas escutava as palavras, isto é, nesse caso ele utiliza o sentido da audição como meio de meditação para a memoriza-la. Acredito também, até então, que não havia limites diferentes para a sua capacidade de memorização, pois ele não somente associava as séries às imagens, mas de uma forma incrível, ele também era capaz de sentir a forma da voz de alguém, assim como definir uma cor para esta façanha e o mais incrível era sua capacidade de associar até mesmo impressões gustativas às palavras, ou seja, cara... ele era capaz de sentir o gosto de uma palavra!!!! Isso é uma habilidade incrível, porque até eu gostaria de saber qual é o gosto do "amor" (hahaha brincadeira). Mas vale lembrar mais uma vez dentro da sua habilidade maravilhosa que o reconhecimento de uma palavra não se limitava somente às imagens associativas, mas envolvia também sentimentos... (Gente!! Por favor, eu quero saber qual o sentimento da palavra "refrigerante" hahahaha, brincadeira, agora parei, sério!).
Enfim, portanto, nossos sentidos servem para nos orientar, guiar, instruir e tantas outras utilidades, mas no caso de S. se tornava mais excepcional ainda por ser capaz de instrui-lo à uma memorização fascinante, o uso de seus sentidos só ajudou a controlar mais ainda sua mente, com isso, pode-se afirmar que ele utilizava um alto grau de sinestesia em que a produção de duas ou mais sensações sob a influência de uma só impressão pode permitir a memorização de forma extraordinária, é um estilo que combina percepções de natureza sensorial distinta. Dessa forma, S. pertencia a um grupo notável de pessoas que mantém viva um complexo tipo sinestésico de sensibilidade, uma vez que qualquer fala despertava uma intensa imagem visual e se torna extremamente relevante ressaltar que os vestígios rudimentares da sinestesia eram centrais na vida de S., deixaram uma marca nos seus hábitos de percepção, compreensão e pensamento e eram características vitais de sua memória.

Na vida de S. era fundamental que ele fizesse a associação de um significado à um objeto para que assim ocorresse a rememoração de palavras, em que atribuía sua vida e suas caminhadas durante toda a sua vida às palavras, o que foi definido como caminhadas mentais... Então, essa técnica de converter séries de palavras em séries de imagens gráficas explica o por quê de S. conseguir reproduzir com tanta prontidão séries do começo ao fim, inclusive em ordem diferentes. É interessante lembrar que os padrões visuais de memória de S. eram diferentes das ditas "normais" justamente porque S. tinha em sua memória imagens excepcionalmente vívidas e estáveis, o que facilitava o processo...
Porém, gostaria de encerrar o texto dessa semana com a seguinte indagação: uma vez ser comprovada ser maravilhosa a memória de S., sendo extraordinária a sua capacidade de armazenar tantas informações, incluindo sentimentos, sentidos e até mesmo meditação, cabe refletir se seria possível que S. se esquecesse de algo? Ou seja, será que ele era capaz de se esquecer? Acredito ser importante dar uma aliviada na mente as vezes, para que haja o relaxamento e é importante também esvair pensamentos... Acredito que nem todas as memórias sejam felizes e assim, é importante se esquecer de algo... Isto é, assim como ocorre com a memória de um computador, é importante fazer uma limpeza na mente, para renovar as energias e os vigores.
Referência: Luria, A.R. (1999) A mente e a memória: um pequeno livro sobre uma vasta memória. São Paulo: Martins
Fontes.




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